quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cultura Angolana


A riqueza cultural de Angola manifesta-se em diferentes áreas. No artesanato, destaca-se a variedade de materiais utilizados. Através de estatuetas em madeira, instrumentos musicais, máscaras para danças rituais, objectos de uso comum, ricamente ornamentados, pinturas a óleo e areia, é comprovada a qualidade artística angolana, patente em museus, galerias de arte e feiras. Associado às festas tradicionais promovidas por etnias locais está também um grande valor cultural.

A música anuncia a riqueza artística de Angola, com os ritmos do kizomba, semba, rebita, cabetula e os novos estilos, como o zouk e kuduro, a animar as noites africanas. As danças tradicionais assumem, paralelamente, particular relevância, a par da gastronomia rica e variada.

A literatura angolana tem origem no século XIX, com uma função marcadamente “intervencionista e panfletária de uma imprensa feita pelos nativos da terra” (Angola Digital). A literatura reflecte a riqueza cultural do país.

Em 1935, o romance “O segredo da morta”, de António Assis Júnior, atinge uma notoriedade significativa, assinalando um ano de viragem. No decorrer das décadas seguintes outras obras e autores se afirmam, contribuindo para a diversidade temática. Em Portugal, escritores como José Eduardo Agualusa fazem parte da moderna literatura de origem angolana. Outros nomes, como Ondjaki, integram a nova geração de escritores do país.


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A Angola pode ser traduzida como uma nação cheia de culturas unidas. 
No artesanato, destaca-se a variedade de materiais utilizados. 
A música anuncia a riqueza artística de Angola, como o famoso ritmo do "Kuduro", que anima as noites africanas!

A Angola, como diversos outros países da África, sofre preconceito e desinteresse dos estrangeiros, cujos olhos só se voltam aos países mais desenvolvidos e ricos. Porém, ela também tem sua própria riqueza, tão interessante quanto qualquer outra, e de forma nenhuma merece ser ignorada. No objetivo de conhecer então um pouco mais sobre essa cultura, esse modo de vida desconhecido por nós, o grupo se propôs a pesquisar alguns dos aspectos preservados pela mesma, que envolvem desde sua forte dedicação á dança, como diversas interessantes bebidas tradicionais.

Júlia Coutinho e Renata Noya, alunas da turma 8ª C.

A Revolta dos Malês



Quem eram os Malês? 
Os Malês eram escravos de orientação religiosa islâmica impedidos de praticar sua própria religião, fruto da intolerância a outras crenças além do catolicismo. O termo “malê” é de origem africana  (ioruba) e significa “o muçulmano”.

O que foi a revolta?
A chamada revolta dos Malês foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos, já que se tratava de um movimento dos escravos muçulmanos os chamados malês,que se organizaram com a proposta de libertação de todos os escravos africanos que pertencessem à religião islâmica. Aconteceu na cidade de Salvador, capital da Bahia, e teve a participação dos escravos pertencentes às etnias hauçá, igbomina e Picapó. O período foi marcado pela intolerância religiosa e pelo uso da mão-de-obra escrava, dois pilares do sistema colonial português.

Quais os motivos da revolta?
Os revoltosos, cerca de 1500, estavam muito insatisfeitos com a escravidão africana, a imposição do catolicismo e com o preconceito contra os negros. Portanto, tinham como objetivo principal à libertação dos escravos. Queriam também acabar com o catolicismo, o confisco dos bens dos brancos e mulatos e a implantação de uma república islâmica.

Qual foi a relevância da revolta dos Malês?
Se atualmente os negros estudam, trabalham e se relacionam de forma igualitária com os outros, isso se deu às lutas que os mesmos enfrentaram para conquistarem seus direitos. Assim como a Inconfidência Baiana, a luta dos quilombos e às demais revoltas populacionais, a revolta dos Malês foi de grande importância para que os negros pudessem ser o que são hoje. Os Malês acreditavam que era possível à raça negra uma articulação contra a escravidão. Isso é inspirador para influenciar todos os negros do país, logo, a importância da revolta para a atualidade é exatamente a de lutar contra o preconceito para que haja uma inclusão na sociedade. O processo evidente que as lutas trouxeram ajudou na construção da identidade nacional, determinando a resistência escrava como um assunto que merece ser bem estudado.

A seguir, um vídeo da música "Revolta dos Malês", de Rafael Pondé.


Fontes:

Reviravolta no Egito


Nem as pirâmides, que de tudo já viram, esperavam por essa. Um mês e meio depois de assumir o governo, o primeiro presidente egípcio eleito pelo voto popular, Mohamed Morsi, despachou para a reserva o marechal Mohamed Hussein Tantawi. Durante duas décadas ele foi ministro da Defesa e braço direito do ditador Hosni Mubarak. Em fevereiro do ano passado, quando o autocrata foi obrigado a renunciar, ao cabo de 18 dias de manifestações pelo fim do regime, Tantawi o substituiu, na condição de chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), a junta que tomou o poder com a promessa de uma nova Constituição e eleições livres. Morsi o conservou na Defesa, dando a impressão de que o Egito avançara apenas meio passo no caminho da mudança exigida pelas multidões da Praça Tahrir.

Havia, de fato, motivos de sobra para duvidar que o privilegiado estamento armado, que controla o Estado e 40% da economia nacional, iria se recolher mansamente à caserna, cumprida a sua parte na transição. Em junho, o CSFA reinstituiu o estado de emergência que garroteara o país durante 30 anos, extinto duas semanas antes. Em seguida, a Corte Constitucional, cujos membros foram todos nomeados por Mubarak, ordenou a dissolução do Parlamento, de ampla maioria islâmica, eleito na virada do ano, delegando à junta as suas atribuições. A decisão foi tomada às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, vencidas por Morsi.
Indicado pela Irmandade Muçulmana para concorrer depois de a junta ter mandado cassar o seu candidato original, Morsi - um engenheiro de 51 anos, formado nos Estados Unidos e orador sonífero - tentou mostrar a que veio. Desfiliou-se do partido islâmico, apelou à unidade nacional e ordenou a reabertura do Parlamento. Mas o tribunal fincou pé e ele recuou. Foi a sua segunda derrota consecutiva: entre a eleição e a posse, sempre com apoio judicial, os militares baixaram uma espécie de versão egípcia do infame Ato Institucional n.º 5 da ditadura brasileira: impuseram uma Constituição provisória e impediram o presidente em vias de assumir de dar a última palavra sobre a política externa e a segurança interna, o orçamento das Forças Armadas e das estatais sob o seu mando. Parecia traçado em terra firme o desequilíbrio dos poderes na era pós-Mubarak, sob hegemonia fardada.
Ainda não se sabe modo, no fim quando e em que circunstâncias Morsi teria resolvido virar o jogo. De todo da semana atrasada, um ataque jihadista a forças policiais egípcias na Península do Sinai, na área de fronteira com Israel, matou 16 soldados e deu ao presidente uma oportunidade que talvez não esperasse. Entre outros oficiais da cúpula dos serviços de segurança, ele demitiu sumariamente o chefe da Inteligência nacional, Mourad Mowafi. O que se passou nos dias seguintes permanece nebuloso, mas no domingo ele fez o inimaginável. Aposentou não apenas Tantawi, mas também o chefe do Estado-Maior do Exército, general Sami Hafez Anan, além de afastar os comandantes da Marinha e da Força Aérea. Não foi, porém, o costumeiro murro na mesa. Antes de mandar Tantawi e Anan para a reserva, honrou-os com a Ordem do Nilo, a mais alta condecoração do país, e os nomeou seus conselheiros.
Em outro indício de que mediu os seus atos, provavelmente negociando com o Exército, Morsi escolheu dois membros do CSFA para ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior, os generais Abdul-Fattah el-Sisi e Sidqi Sobhi Sayed. Invocando "os melhores interesses da nação", disse em discurso apaziguador que não pretendia "constranger" ou "antagonizar" os chefes militares. Só que ele fez muito mais do que substituir altas patentes. No mesmo dia, declarou caduco o decreto militar que limitava drasticamente a sua esfera de ação, encampando os poderes do Parlamento fechado. Prevendo problemas com a Corte Constitucional, nomeou vice-presidente o respeitado juiz Mahmoud Mekky. Isso significa que até as eleições legislativas que anunciou para 60 dias depois do referendo sobre a Constituição, ainda sem data para ser concluída, Morsi terá prerrogativas ditatoriais.

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A primeira eleição do presidente pelo voto popular aconteceu no dia 24/06/12 e surpreendeu  à todos, devido a sua falta de ‘harmonia’, graças a presença da grande irmandade militar.
Depois de Hosni ter afirmado o início de grandes melhorias no Egito, a corte constitucional      - que fora eleita pelo ex-presidente Mubarak - exigiu a dissolução do parlamento, mas Hosni não recuou. Ele ordenou que o parlamento fosse reaberto, porém, não teve êxito.
Com esses acontecimentos, o Egito entrou em caos. Houve muitas manifestações vindas dos  cidadãos. O exercito militar recebeu um ataque jihadista inesperado, que acabou dando uma grande oportunidade para o presidente, que obteve a oportunidade de "virar o jogo".

Letícia Aragão - Aluna da turma 8ª C.

Israel tenta barrar fluxo de imigrantes africanos

O governo de Israel continua enviando soldados para a fronteira do Egito na tentativa de impedir a imigração ilegal de africanos para o país. Estima-se que 60 mil imigrantes, vindos principalmente do Sudão, Sudão do Sul e da Eritreia, já tenham cruzado a fronteira de Israel em busca de trabalho. Alguns israelenses estão preocupados com a influência da cultura estrangeira, que poderia descaracterizar Israel como um Estado judaico.
A Anistia Internacional e grupos civis israelenses, como o Hotline for Migrant Workers e a Associação de Direitos Civis em Israel pediram para que Israel pare com a prática, considerando que os africanos podem estar atrás de asilo político. Em comunicado divulgado, os grupos afirmam que "Israel é responsável pelas ações e omissões de seus soldados." Mas para o governo, o único objetivo dos africanos é conseguir um emprego no país.
Segundo os grupos de defesa dos direitos humanos, o número de imigrantes que cruzam a fronteira tem caído. Em julho, segundo o governo, 248 imigrantes cruzaram a fronteira. Os números divulgados pela imprensa egípcia são bem diferentes, os jornais do país falam em 514 pessoas capturadas.
As três organizações acusam os soldados de invadirem o território egípcio para capturar os imigrantes antes que eles cheguem à fronteira. A informação foi negada pelo Exército do Egito. A área de fronteira, na região do Sinai, já foi palco de confrontos entre militares dos dois países.

Cientistas descobrem fósseis de nova espécie de hominídeo no leste da África

Descoberta abre novas possibilidades sobre a evolução humana após a cisão dos primatas

 O leste da África foi habitado por três espécies de hominídeos no começo da evolução humana, o Homo erectus, o Homo habilis e também uma terceira espécie que foi recém-descoberta a partir de três fósseis encontrados em uma jazida do Quênia, informou a revista "Nature".

Crânio de hominídeo primitivo, descoberto em 1972, combinado com mandíbula inferior
Coordenada por uma equipe de cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha, essa descoberta abre novas possibilidades sobre a evolução humana após a cisão dos primatas.

Os fósseis, um crânio quase completo e duas mandíbulas inferiores, pertenceram a três indivíduos diferentes que viveram há aproximadamente 1,95 milhões de anos, durante período Paleolítico Inferior, e encontra-se em bom estado de conservação, explicou à Agência Efe Fred Spoor, paleontólogo e co-autor do artigo ao lado da também paleontóloga Meave Leakey, do Turkana Basin Institute de Nairóbi (Quênia).

Precisamente, trata-se do rosto e alguns dentes de um menino com idade próxima aos oito anos; uma mandíbula inferior quase completa, com vários dentes e raízes, que pertenceu a um indivíduo adulto, e um fragmento de outra mandíbula inferior, que ainda conta com alguns dentes incisivos pequenos.

Segundo Spoor, uma dessas duas mandíbulas é "a mais completa já achada, em relação a um hominídeo primitivo".

Os ossos apareceram durante uma escavação na jazida de Koobi Fora, uma região rochosa do norte do Quênia e próxima ao lago Turkana, um habitat ideal para os primeiros hominídeos, já que conta com temperaturas cálidas e muita vegetação.

Em 1972, os pesquisadores encontraram um crânio no Quênia cujas características - um rosto maior que os demais fósseis da região - não permitiam enquadrá-lo em nenhuma das espécies identificadas até o momento, e essa comparação era ainda mais difícil porque o fóssil carecia de mandíbula e dentes.

Desta forma, este crânio se transformou em um enigma para os paleontólogos e abriu um debate sobre se, no começo da evolução humana, houve uma ou duas espécies de Homo além do já conhecido Homo erectus, que originaram o de Neandertal e Homo sapiens.

Agora, com a descoberta dos novos fósseis do Quênia, muito similares ao encontrado em 1972, confirma que efetivamente existiram três espécies contemporâneas: o Homo erectus, o Homo Habilis e uma terceira, que ainda não recebeu nome. Isso porque, os cientistas aguardam um estudo mais detalhado para assegurar sua semelhança com o Homo Habilis.

"Quando encontramos os fósseis do rosto, sua semelhança com o fóssil de 1972 era imediatamente óbvia", relatou Spoor.

A morfologia dos ossos indica que estes indivíduos teriam uma face alongada, mais plana e com um céu da boca em forma de U, que se difere do resto dos hominídeos de sua época, em forma de V.

Segundo Spoor, as três espécies conviveram no mesmo tempo e espaço, mas o mais provável é que as mesmas se evitassem entre elas.

"É possível que se conhecessem, mas entre as espécies de mamíferos próximas aos hominídeos o mais habitual é que as mesmas evitem o contato entre elas, como ocorre com os gorilas e os chimpanzés do Congo", afirmou Spoor.

"O leste da África era um lugar bastante povoado, com distintas espécies que, provavelmente, seguiam dietas diferentes e que ainda não conhecemos", completou o arqueólogo, que ressalta que essa característica poderia ser a chave de sua convivência em um mesmo habitat, já que não precisariam disputar os mesmos alimentos.

Embora tanto o Homo habilis como esta nova espécie terminaram extintos, ao contrário do Homo erectus, "parece evidente que a evolução humana não seguiu uma linha unidirecional".


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entenda a seca no Chifre da África

A pior seca dos últimos 60 anos afetou 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África (que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia). A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso não haja nenhuma providência, a situação pode se transformar num caos, que afetará grande parte da humanidade.
A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano. Ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo que foi realizado no começo do ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.
"É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas", explicou o pesquisador do USGS Chris Funk ao site G1.
Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. "Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas."

  • Motivos políticos
Além da questão climática, existem fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. "Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos", explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnessota, nos EUA, Abdi Samatar.
Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. "É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre."

  • Poucas chuvas anteriores
A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. "Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados", diz Chris.
Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.
Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas "será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses."

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.


Quem disse que os negros não são importantes?





 Negro, americano, e revolucionário Martin Luther King contribuíram para a luta dos afrodescendentes na política.
Em 1955, Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a dar seu lugar num ônibus para uma mulher branca e foi presa. Os líderes negros da cidade organizaram um boicote aos ônibus de Montgomery para protestar contra a segregação racial em vigor no transporte. Durante a campanha de um ano e dezesseis dias, coliderada por Martin Luther King, muitas ameaças foram feitas contra a sua vida, foi preso e viu sua casa ser atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transporte público.
Depois dessa batalha, Martin Luther King participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul (CLCS, ou em inglês, SCLC, Southern Christian Leadership Conference), em 1957. A CLCS deveria organizar o ativismo em torno da questão dos direitos civis. King manteve-se à frente da CLCS até sua morte, o que foi criticado pelo mais democrático e mais radical Comitê Não Violento de Coordenação Estudantil (CNVCE, ou em inglês, SNCC, Student Nonviolent Coordinating Committee). O CLCS era composto principalmente por comunidades negras ligadas a igrejas batistas. King era seguidor das ideias de desobediência civil não violenta, preconizadas por Mohandas Gandhi (líder político indiano também conhecido como Mahatma Gandhi) e aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS. King acertadamente previu que manifestações organizadas e não violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos Estados Unidos, atacadas de modo violento por autoridades racistas e com ampla cobertura da mídia, iriam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis; essa foi a ação fundamental que fez do debate acerca dos direitos civis o principal assunto político nos Estados Unidos a partir do começo da década de 1960.
Martin Luther King Jr. profere o seu famoso discurso "Eu tenho um sonho" em março de 1963 frente ao Memorial Lincoln em Washington, durante a chamada "marcha pelo emprego e pela liberdade".
Ele organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei estadunidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).
King e o CLCS escolheram com grande acerto os princípios do protesto não violento, ainda que como meio de provocar e irritar as autoridades racistas dos locais onde se davam os protestos - invariavelmente estes últimos retaliavam de forma violenta. O CLCS também participou dos protestos em Albany (Alabama) (1961-2), que não tiveram sucesso devido a divisões no seio da comunidade negra e também pela reação prudente das autoridades locais; a seguir, participou dos protestos em Birmingham (1963) e do protesto em St. Augustine, na Flórida (1964). King, o CLCS e o CNVCE uniram forças em dezembro de 1964, no protesto ocorrido na cidade de Selma (Alabama).
Em 14 de outubro de 1964, King se tornou a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, que lhe foi outorgado em reconhecimento à sua nação e à sua liderança na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos.
Com colaboração parcial do CNVCE, King e o CLCS tentaram organizar uma marcha desde Selma até a capital do Alabama, Montgomery, a ter início dia 25 de março de 1965. Já haviam ocorrido duas tentativas de promover esta marcha, a primeira em 7 de março e a segunda em 9 de março.
Na primeira, marcharam 525 pessoas por apenas seis blocos; a intervenção violenta da polícia interrompeu a marcha. As imagens da violência foram transmitidas para todo o país e o dia ganhou o apelido de Domingo Sangrento. King não participou dessa marcha: encontrava-se em negociações com o presidente estadunidense e não deu sua aprovação para a marcha tão precoce.
A segunda marcha foi interrompida por King nas proximidades da ponte Pettus, nos arredores de Selma, uma ação que parece ter sido negociada antecipadamente com líderes das cidades seguintes. Esse ato causou surpresa e indignação em muitos ativistas locais.
A marcha, finalmente, se completou na terceira tentativa (25 de março de 1965), com a permissão e apoio do presidente Lyndon Johnson. Foi durante esta marcha que Stokely Carmichael (futuro líder dos Panteras Negras) criou a expressão "Black Power".
Antes, em 1963, King foi um dos organizadores da marcha em Washington, que, inicialmente, deveria ser uma marcha de protesto, mas, depois de discussões com o então presidente John F. Kennedy, acabou se tornando quase que uma celebração das conquistas do movimento negro (e do governo) - o que irritou bastante os ativistas mais radicais e menos ingênuos.
A partir de 1965, o líder negro passou a duvidar das intenções estadunidenses na Guerra do Vietnã. Em fevereiro e, novamente, em abril de 1967, King fez sérias críticas ao papel que os Estados Unidos desempenhavam na guerra. Em 1968, King e o SCLC organizaram uma campanha por justiça socioeconômica, contra a pobreza (a "Campanha dos Pobres"), que tinha por objetivo principal garantir ajuda para as comunidades mais pobres do país.
Também deve ser destacado o impacto que King teve nos espetáculos de entretenimento popular. Ele conversou com a atriz negra do seriado Star Trek original, Nichelle Nichols, quando ela ameaçava sair do programa. Nichelle acreditava que o papel não estava ajudando em nada sua carreira e que o estúdio a tratava mal, mas King a convenceu de que era importante para o negro ter um representante num dos programas mais populares da televisão.
Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis. James Earl Ray confessou o crime, mas, anos depois, repudiou sua confissão. Encontra-se sepultado no Centro Martin Luther King Jr., Atlanta, Fulton County, Geórgia (Estados Unidos) nos Estados Unidos. A viúva de King, Coretta Scott King, junto com o restante da família do líder, venceu um processo civil contra Loyd Jowers, um homem que armou um escândalo ao dizer que lhe tinham oferecido 100 000 dólares pelo assassinato de King.
Em 1986, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, o chamado Dia de Martin Luther King - sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao aniversário de King. Em 1993, pela primeira vez, o feriado foi cumprido em todos os estados do país.