quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cientistas descobrem fósseis de nova espécie de hominídeo no leste da África

Descoberta abre novas possibilidades sobre a evolução humana após a cisão dos primatas

 O leste da África foi habitado por três espécies de hominídeos no começo da evolução humana, o Homo erectus, o Homo habilis e também uma terceira espécie que foi recém-descoberta a partir de três fósseis encontrados em uma jazida do Quênia, informou a revista "Nature".

Crânio de hominídeo primitivo, descoberto em 1972, combinado com mandíbula inferior
Coordenada por uma equipe de cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha, essa descoberta abre novas possibilidades sobre a evolução humana após a cisão dos primatas.

Os fósseis, um crânio quase completo e duas mandíbulas inferiores, pertenceram a três indivíduos diferentes que viveram há aproximadamente 1,95 milhões de anos, durante período Paleolítico Inferior, e encontra-se em bom estado de conservação, explicou à Agência Efe Fred Spoor, paleontólogo e co-autor do artigo ao lado da também paleontóloga Meave Leakey, do Turkana Basin Institute de Nairóbi (Quênia).

Precisamente, trata-se do rosto e alguns dentes de um menino com idade próxima aos oito anos; uma mandíbula inferior quase completa, com vários dentes e raízes, que pertenceu a um indivíduo adulto, e um fragmento de outra mandíbula inferior, que ainda conta com alguns dentes incisivos pequenos.

Segundo Spoor, uma dessas duas mandíbulas é "a mais completa já achada, em relação a um hominídeo primitivo".

Os ossos apareceram durante uma escavação na jazida de Koobi Fora, uma região rochosa do norte do Quênia e próxima ao lago Turkana, um habitat ideal para os primeiros hominídeos, já que conta com temperaturas cálidas e muita vegetação.

Em 1972, os pesquisadores encontraram um crânio no Quênia cujas características - um rosto maior que os demais fósseis da região - não permitiam enquadrá-lo em nenhuma das espécies identificadas até o momento, e essa comparação era ainda mais difícil porque o fóssil carecia de mandíbula e dentes.

Desta forma, este crânio se transformou em um enigma para os paleontólogos e abriu um debate sobre se, no começo da evolução humana, houve uma ou duas espécies de Homo além do já conhecido Homo erectus, que originaram o de Neandertal e Homo sapiens.

Agora, com a descoberta dos novos fósseis do Quênia, muito similares ao encontrado em 1972, confirma que efetivamente existiram três espécies contemporâneas: o Homo erectus, o Homo Habilis e uma terceira, que ainda não recebeu nome. Isso porque, os cientistas aguardam um estudo mais detalhado para assegurar sua semelhança com o Homo Habilis.

"Quando encontramos os fósseis do rosto, sua semelhança com o fóssil de 1972 era imediatamente óbvia", relatou Spoor.

A morfologia dos ossos indica que estes indivíduos teriam uma face alongada, mais plana e com um céu da boca em forma de U, que se difere do resto dos hominídeos de sua época, em forma de V.

Segundo Spoor, as três espécies conviveram no mesmo tempo e espaço, mas o mais provável é que as mesmas se evitassem entre elas.

"É possível que se conhecessem, mas entre as espécies de mamíferos próximas aos hominídeos o mais habitual é que as mesmas evitem o contato entre elas, como ocorre com os gorilas e os chimpanzés do Congo", afirmou Spoor.

"O leste da África era um lugar bastante povoado, com distintas espécies que, provavelmente, seguiam dietas diferentes e que ainda não conhecemos", completou o arqueólogo, que ressalta que essa característica poderia ser a chave de sua convivência em um mesmo habitat, já que não precisariam disputar os mesmos alimentos.

Embora tanto o Homo habilis como esta nova espécie terminaram extintos, ao contrário do Homo erectus, "parece evidente que a evolução humana não seguiu uma linha unidirecional".


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entenda a seca no Chifre da África

A pior seca dos últimos 60 anos afetou 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África (que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia). A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso não haja nenhuma providência, a situação pode se transformar num caos, que afetará grande parte da humanidade.
A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano. Ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo que foi realizado no começo do ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.
"É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas", explicou o pesquisador do USGS Chris Funk ao site G1.
Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. "Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas."

  • Motivos políticos
Além da questão climática, existem fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. "Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos", explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnessota, nos EUA, Abdi Samatar.
Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. "É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre."

  • Poucas chuvas anteriores
A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. "Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados", diz Chris.
Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.
Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas "será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses."

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.


Quem disse que os negros não são importantes?





 Negro, americano, e revolucionário Martin Luther King contribuíram para a luta dos afrodescendentes na política.
Em 1955, Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a dar seu lugar num ônibus para uma mulher branca e foi presa. Os líderes negros da cidade organizaram um boicote aos ônibus de Montgomery para protestar contra a segregação racial em vigor no transporte. Durante a campanha de um ano e dezesseis dias, coliderada por Martin Luther King, muitas ameaças foram feitas contra a sua vida, foi preso e viu sua casa ser atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transporte público.
Depois dessa batalha, Martin Luther King participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul (CLCS, ou em inglês, SCLC, Southern Christian Leadership Conference), em 1957. A CLCS deveria organizar o ativismo em torno da questão dos direitos civis. King manteve-se à frente da CLCS até sua morte, o que foi criticado pelo mais democrático e mais radical Comitê Não Violento de Coordenação Estudantil (CNVCE, ou em inglês, SNCC, Student Nonviolent Coordinating Committee). O CLCS era composto principalmente por comunidades negras ligadas a igrejas batistas. King era seguidor das ideias de desobediência civil não violenta, preconizadas por Mohandas Gandhi (líder político indiano também conhecido como Mahatma Gandhi) e aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS. King acertadamente previu que manifestações organizadas e não violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos Estados Unidos, atacadas de modo violento por autoridades racistas e com ampla cobertura da mídia, iriam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis; essa foi a ação fundamental que fez do debate acerca dos direitos civis o principal assunto político nos Estados Unidos a partir do começo da década de 1960.
Martin Luther King Jr. profere o seu famoso discurso "Eu tenho um sonho" em março de 1963 frente ao Memorial Lincoln em Washington, durante a chamada "marcha pelo emprego e pela liberdade".
Ele organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei estadunidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).
King e o CLCS escolheram com grande acerto os princípios do protesto não violento, ainda que como meio de provocar e irritar as autoridades racistas dos locais onde se davam os protestos - invariavelmente estes últimos retaliavam de forma violenta. O CLCS também participou dos protestos em Albany (Alabama) (1961-2), que não tiveram sucesso devido a divisões no seio da comunidade negra e também pela reação prudente das autoridades locais; a seguir, participou dos protestos em Birmingham (1963) e do protesto em St. Augustine, na Flórida (1964). King, o CLCS e o CNVCE uniram forças em dezembro de 1964, no protesto ocorrido na cidade de Selma (Alabama).
Em 14 de outubro de 1964, King se tornou a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, que lhe foi outorgado em reconhecimento à sua nação e à sua liderança na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos.
Com colaboração parcial do CNVCE, King e o CLCS tentaram organizar uma marcha desde Selma até a capital do Alabama, Montgomery, a ter início dia 25 de março de 1965. Já haviam ocorrido duas tentativas de promover esta marcha, a primeira em 7 de março e a segunda em 9 de março.
Na primeira, marcharam 525 pessoas por apenas seis blocos; a intervenção violenta da polícia interrompeu a marcha. As imagens da violência foram transmitidas para todo o país e o dia ganhou o apelido de Domingo Sangrento. King não participou dessa marcha: encontrava-se em negociações com o presidente estadunidense e não deu sua aprovação para a marcha tão precoce.
A segunda marcha foi interrompida por King nas proximidades da ponte Pettus, nos arredores de Selma, uma ação que parece ter sido negociada antecipadamente com líderes das cidades seguintes. Esse ato causou surpresa e indignação em muitos ativistas locais.
A marcha, finalmente, se completou na terceira tentativa (25 de março de 1965), com a permissão e apoio do presidente Lyndon Johnson. Foi durante esta marcha que Stokely Carmichael (futuro líder dos Panteras Negras) criou a expressão "Black Power".
Antes, em 1963, King foi um dos organizadores da marcha em Washington, que, inicialmente, deveria ser uma marcha de protesto, mas, depois de discussões com o então presidente John F. Kennedy, acabou se tornando quase que uma celebração das conquistas do movimento negro (e do governo) - o que irritou bastante os ativistas mais radicais e menos ingênuos.
A partir de 1965, o líder negro passou a duvidar das intenções estadunidenses na Guerra do Vietnã. Em fevereiro e, novamente, em abril de 1967, King fez sérias críticas ao papel que os Estados Unidos desempenhavam na guerra. Em 1968, King e o SCLC organizaram uma campanha por justiça socioeconômica, contra a pobreza (a "Campanha dos Pobres"), que tinha por objetivo principal garantir ajuda para as comunidades mais pobres do país.
Também deve ser destacado o impacto que King teve nos espetáculos de entretenimento popular. Ele conversou com a atriz negra do seriado Star Trek original, Nichelle Nichols, quando ela ameaçava sair do programa. Nichelle acreditava que o papel não estava ajudando em nada sua carreira e que o estúdio a tratava mal, mas King a convenceu de que era importante para o negro ter um representante num dos programas mais populares da televisão.
Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis. James Earl Ray confessou o crime, mas, anos depois, repudiou sua confissão. Encontra-se sepultado no Centro Martin Luther King Jr., Atlanta, Fulton County, Geórgia (Estados Unidos) nos Estados Unidos. A viúva de King, Coretta Scott King, junto com o restante da família do líder, venceu um processo civil contra Loyd Jowers, um homem que armou um escândalo ao dizer que lhe tinham oferecido 100 000 dólares pelo assassinato de King.
Em 1986, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, o chamado Dia de Martin Luther King - sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao aniversário de King. Em 1993, pela primeira vez, o feriado foi cumprido em todos os estados do país.

Etnocêntrico, ser ou não ser?

Atualmente o mundo é uma mistura de culturas, cada país possui separadamente um modo diferente de vestir, comer, dançar, falar e interpretar a vida. Contudo, algumas pessoas tem uma visão que mostram a cultura do outro como algo menor, sem valor, errado, primitivo. Ou seja, a visão etnocêntrica desconsidera a lógica de funcionamento de outra cultura, limitando-se à visão que possui como referência cultural.
O etnocentrismo trata-se de uma avaliação pautada em juízos de valor daquilo que é considerado diferente. Se a cultura, no que se diz respeito aos valores e visões de mundo, é fundamental para nossa constituição enquanto indivíduos (servindo-nos como parâmetro para nosso comportamento moral) limitar-se a apenas uma cultura, desconhecendo ou depreciando as demais de povos ou grupos, pode levar a uma visão estreita das dimensões da vida humana.
Logo, tomar conhecimento do outro sem aceitar sua lógica de pensamento e de seus hábitos acaba por gerar uma visão etnocêntrica e preconceituosa, o que pode até mesmo se desdobrar em conflitos diretos. O etnocentrismo está, certamente, entre as principais causas da intolerância internacional e da xenofobia (preconceito contra estrangeiros ou pessoas oriundas de outras origens). Basta pensarmos nas relações entre norte-americanos e latinos imigrantes e entre franceses e os povos vindos do norte do continente africano que buscam residência neste país. A visão etnocêntrica caminha na contramão do processo de integração global decorrente da modernização dos meios de comunicação como a internet, pois é sinônimo de estranheza e de falta de tolerância.
Contudo, a inevitabilidade do choque cultural é um fato, pois as culturas naturalmente possuem bases e estruturas diferentes, dando significação à vida de formas distintas. Prova disso estaria no papel social assumido pelas mulheres, que certamente não possuem os mesmos direitos enquanto pessoa humana em sociedades ocidentais e orientais. Este fato, aliás, tem sido objeto de longas discussões internacionais acerca dos direitos humanos e das questões de gênero. A complexidade dessa questão é muito clara, pois se para nós do lado ocidental algumas práticas são contra o direito à vida e à emancipação; para outras culturas essas mesmas práticas devem ser aceitas com naturalidade, pois apenas reproduziriam uma tradição.
Dessa forma, a tolerância com relação às diferenças é válida, mas seu limite não está claro, pois como podemos aceitar pacificamente o apedrejamento de mulheres ou a mutilação de seus corpos? Daí a necessidade da reflexão constante sobre tais limites, uma vez que o maior objetivo sempre será o convívio harmonioso e a valorização da vida.

Fontes de ajuda:
http://www.significados.com.br/etnocentrismo/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Etnocentrismo

Quais as influências africanas no Brasil?


O vídeo abaixo mostra algumas das influências africanas no Brasil. Veja a seguir.



 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Importância do estudo do continente Africano

Diversas histórias formam um bom conceito.
O estudo do continente africano é muito importante não só para o entedimento da população, do desenvolvimento e da cultura africana, mas também para o a compreensão da situação atual do Brasil. Muitos fatores de nossa história ficam de compreensão superficial ou subestimados por falta da ausência de informações históricas e explicações. Como por exemplo a organização da sociedade atual, nossa cultura e o preconceito racial.

A África, apesar de toda sua riqueza e diversidade cultural, é vista como uma selva ou como um continente castigado severamente por fome e miséria. Apenas mato e pobreza, essa é a definição que temos de África, a questão é que não podemos esquecer que a África é um continente, e como todo continente é repleto de povos e diferentes situações. Estamos acostumados a enxergar a África a partir de apenas uma história, aquela que a mídia nos permite conhecer, mas não podemos criar um conceito com a visão de apenas uma face da história, afinal nenhuma boa história tem apenas um lado.

Além disso a África contribuiu para a formação cultural do Brasil, já que os africanos trouxeram uma bagagem farta de música, dança, religião e culinária que complementaram nossa cultura, tornando-a rica e miscigenada. Todavia, não temos apenas heranças boas, o preconceito racial e a organização da socidade atual são consequências da vinda dos africanos para o Brasil, já que foi a partir dessa escravidão negreira que a população começou a enxergar os negros como inferiores e facilmente manipulados. Isto influenciou muito na sociedade brasileira, por exemplo, atualmente 96,7% das empregadas domésticas são negras, a criação das cotas racias comprovam que a sociedade enxerga o negro como incapaz, ou menos capaz que os brancos, e a lei referente ao preconceito denuncia a sua existência.
Como qualquer outro continente, a África deve ser estudada para que seja compreendida e para que o mundo consiga entender sua grandeza e diversidade, é necessário que todos conheçam a África como o continente que é, com diferentes situações. Assim será possível julgar e analisar em todos os contextos, para depois criar um conceito em cima de tudo.      Texto por Vanessa Kruschewsky, nº 39

Sinopses

Gostou do nosso blog? Ficou interessado na vida dos africanos? Então, aqui vão algumas sinopses de livros que envolvem a história dos afro-brasileiros. Não só na escravidão, mas também na introdução de cultura no nosso país.

1º) O Brasil que veio da África
A saga de um rei africano e seu antigo escravo, agora na condição de cativos no Brasil. Romance juvenil com referências históricas, tem como tema principal o protagonismo negro na luta e conquista da liberdade, em ambientes que vão de senzalas a quilombos, de vilas a fazendas.

Histórias de amor, solidariedade, amizade, ambição se misturam em uma trama na qual  as heranças culturais africanas são mostradas em seu nascedouro. - Arlene Holanda

2º) Os sons dos negros no Brasil

Muito se fala sobre a influência dos povos africanos na formação da cultura brasileira, mas pouco se sabe sobre as origens desse processo. José Ramos Tinhorão vem preencher a lacuna neste livro que reúne os primeiros registros de manifestações musicais dos negros no Brasil, praticamente ignorados pela historiografia mais tradicional.

Recorrendo as mais diversas fontes de pesquisa, como cartas de missionários jesuítas, pinturas de Frans Post, poemas de Gregório de Matos e relatos de viajantes, dentre outros documentos raros, o autor resgata momentos-chave que sintetizam a gênese de uma cultura especificamente brasileira - nem africana, nem européia, nem indígena,

Nela, os rituais religiosos trazidos da África pelos escravos, mesmo proscritos, vão gradualmente se transformando em ritmos, coreografias e cantos autônomos, inicialmente cultivados pela população mesquiça e, num segundo momento, dentro dos teatros e das casas dos brancos, já sob a forma de canções ou danças como a fofa, o lundu e o fado. 

Abordando também os autos de coroação dos reis do Congo, que darão origem ao maracatu pernambucano e ao afoxé baiano, e os cantos de trabalho dos escravos no campo e nas cidades. "Os sons dos negros no Brasil" ilumina uma série de fatos culturais que estão na base daquilo que se denominaria música popular brasileira. - José Ramos Tinhorão

3º) África e Brasil Africano


África e Brasil Africano traz ao leitor um amplo panorama do continente africano, mostrando a variedade de sociedades locais, sua história e cultura antes e depois da escravidão. Destaca também a trajetória do negro no Brasil e sua contribuição para a sociedade brasileira contemporânea, levando-nos à descoberta do que existe de africano em nosso país. Neste livro, Marina de Mello e Souza retrata a mestiçagem decorrente da importação de quase 5 milhões de escravos ao longo de mais trezentos anos e mostra as marcas de um legado artístico e cultural que ainda hoje influencia a sociedade da qual fazemos parte. 

 Um rico trabalho iconográfico complementa a abordagem do tema, aqui tratado de modo original e singular, resultando num livro de agradável leitura. - Marina de Mello e Souza

4º)  A Manilha e o Libambo

 
  A história da escravidão no Brasil começa na África - e é inseparável da história africana. Foi desta perspectiva que se escreveu este livro ambicioso e singular, no qual o muralista, atento à amplidão da paisagem, não esqueceu a pequenina concha sobre a areia.

  Pela riqueza de informações, cada qual de seus capítulos poderia ser desenvolvido num volume, se Alberto da Costa e Silva não tivesse aspirado a entregar ao leitor comum, sem lhe subtrair amplidão e movimento, uma síntese do que se passou nas várias Áfricas - na que se volta, pelo Saara, para o Mediterrâneo,  na que flui para o Atlântico, na que se inclina para o Índico e na que se divide entre os três mares ou a todos ignora -, durante os primeiros duzentos anos da expansão oceânica européia.

  Como o escravo é a personagem onipresente, o livro principia um relato rápido sobre o negro como trabalhador forçado no Egito faraônico, Grécia, Império Romano, Índia, China e Europa medieval, sobre os vários tipos de escravidão prevalecentes na África e a forte expansão que experimentou o cativeiro de africanos nas terras regidas pelo Islame, antes de centrar a atenção do leitor no tráfico promovido pelos cristãos para as Américas e no impacto que esse tráfico teve sobre as diferentes sociedades africanas.

  Em suas páginas, conta-se como em cada parte da África se trabalhava a terra, se cuidava dos rebanhos, se fundia o ferro, se fiava, se tecia e se comerciava, se adoravam os deuses, se organizavam os governos, se acolhiam os estrangeiros, se armavam os exércitos e se usavam os escravos. Sob esse aspecto, a Manilha e o Libambo continua a enxada e a lança e, tal qual sucedeu a este último, do mesmo autor e também publicado pela Editora Nova Fronteira, já surge como um livro de leitura obrigatória e destinado a tornar-se um clássico.